Existe algum atributo que distingue a EAD da sua instituição das demais?

Vivemos na “era do resultado”. As empresas que geram resultados positivos com consistência adotam padrões de execução que lhes permitem adaptar-se constantemente ao ambiente de negócios complexo e com múltiplas variáveis, utilizando de forma organizada e eficaz o capital intelectual de que dispõem.

Com o ambiente de negócios cada vez mais instável e mutável, a necessidade de geração de mais capital intelectual e comportamental de qualidade é indispensável para se manterem competitivas, e por que não dizer, vivas. A educação é a peça principal dessa complexa engrenagem.

O que dizer quando a própria educação não consegue gerar os resultados de ensino e aprendizagem que irão alimentar a inovação de processos, a solução de problemas complexos do futuro e a continuidade da geração de resultados das organizações, sejam eles sociais, ambientais ou financeiros?

Vejamos o que está acontecendo neste momento com a educação a distância:

Em 2017, o resultado do Enade mostrou que 46% dos cursos a distância tiraram nota entre 1 e 2, e apenas 15% ficaram com nota 4 e 5. Em contrapartida, no ensino presencial, 33% dos cursos tiveram notas entre 1 e 2 e 29% destes, obtiveram conceitos entre 4 e 5.

Confirmando a desempenho, o IDD, índice que mede o valor agregado à aprendizagem, revelou que 6,4% dos cursos a distância obtiveram notas 4 e 5, enquanto que, no presencial, este indicador foi de 21,6% dos cursos.

Em 2017, o grupo que participou da realização da prova foi o das ciências exatas, licenciaturas e afins, além dos cursos superiores de tecnologia de controle e processos industriais, informação e comunicação, infraestrutura e produção industrial.

No caminho inverso do resultado está o crescimento da modalidade: as matrículas cresceram 17,6% e a oferta de cursos cresceu 26,8%.

Podemos afirmar que os cursos em EaD são “piores” do que os presenciais? Que o crescimento da modalidade, nestas condições, produzirá profissionais menos preparados em escala?

A conclusão parece superficial, mas nem por isso deixa de ser preocupante. Muitos de nós podemos argumentar pedagogicamente que apenas esse tipo de avaliação não representa uma medição acurada da aprendizagem de um indivíduo, o que é um fato. Fato é, também, que na prática, as organizações, empresariais sobretudo, vêm desenvolvendo programas educacionais próprios e reclamando da qualidade intelectual e humana dos profissionais que recebem da academia.

Encarado com oportunidade, esse cenário abre para as instituições privadas de ensino superior que oferecem EaD, e para todos os que nela atuam, uma enorme janela de oportunidades para mostrar o seu efetivo diferencial, o valor agregado que deve ser percebido pelo aluno e pela comunidade onde ela atua. Precisam, porém, produzir bons projetos de EaD, que não apenas “digitalizem” os conteúdos presenciais, mas que tragam para o ambiente virtual os estímulos próprios dele sempre subordinados ao seu modelo pedagógico.

O marco regulatório (Portaria MEC 11/2017) foi um facilitador importante para trazer uma nova dinâmica para o segmento. Entretanto, tenho visto que as instituições de médio e pequeno porte na ânsia de aprovar seus projetos e aproveitar abertura dada pelo documento legal, abrir diversos polos e começar a oferecer cursos em seus portfólios, estão desconsiderando questões básicas como o conteúdo das disciplinas oferecidas. Não raro, para ganhar velocidade e economizar custos, licenciam conteúdos prontos, compõem as suas matrizes curriculares e está feito. Os efeito disfuncionais desta decisão podem ser notados nas avaliações e nos indicadores de evasão.

A pergunta do tema, não tem uma resposta pronta, mas produz um alto grau de reflexão por parte de dirigentes e educadores. 

No que realmente somos bons? No que fazemos a diferença? No que somos únicos? 

Às vezes, um bom projeto de EaD, perfeitamente adequado ao público de abrangência da instituição, com conteúdos cuidadosamente elaborados para aquele contexto, bem avaliado pelos alunos e gerador de resultados, pode ser a diferença que gera a percepção de qualidade por parte do aluno e da comunidade. Não adianta oferecer excelentes estruturas nos polos, equipamentos, plataformas e infraestrutura no geral e não dar atenção diferenciada ao conteúdo e à sua forma de oferta-lo no mundo virtual para produzir aprendizagem significativa.

Convido você a reservar um tempo para responder essas 6 questões:

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